Senador cearense quer a convocação de ex-gestores e gestores do Estado para depor na CPI da COVID

O senador Eduardo Girão (Podemos-CE) apresentou requerimentos propondo a convocação de uma série de gestores e ex-gestores cearenses para depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid. Entre os alvos da ação, que tenta incluir o Ceará no escopo das investigações, estão o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), e o secretário da Saúde do Ceará, Cabeto Martins.

Além deles, Girão quer também convocação da ex-secretária da Saúde de Fortaleza durante a gestão Roberto Cláudio, Joana Maciel. “A presente convocação se destina, exclusivamente, a verificar a adequada aplicação dos recursos federais repassados ao Estado do Ceará em razão da pandemia de Covid-19”, justifica o senador. Os pedidos ocorrem no contexto em que senadores bolsonaristas e Eduardo Girão – que se diz independente – apresentam uma série de requerimentos tentando incluir estados e municípios nas investigações. Grupo majoritário na CPI, no entanto, ainda defende que os trabalhos tenham foco em ações e omissões do governo Jair Bolsonaro na pandemia.

Apesar de mirar convocação de vários gestores justamente de seu Estado de origem, Girão diz que ação busca evitar “uso eleitoreiro” da CPI. Segundo o senador, existe hoje um clamor popular por uma investigação ampla, que envolva não só o governo federal, mas estados e municípios. O senador desmente, no entanto, informação de que teria pedido convocação do governador Camilo Santana (PT).

Além dos pedidos de depoimento de gestores cearenses, Girão apresentou ainda dezenas de outros requerimentos diversos à CPI, incluindo a convocação do atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e de diretores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Outro requerimento do senador pede informações de inquérito sobre contratos do Consórcio Nordeste com uma empresa que vende respiradores.

Na argumentação pela convocação dos cearenses, Girão cita investigações da Polícia Federal e da Controladoria Geral da União que apuram possíveis irregularidades tanto na compra de respiradores pela Prefeitura, quanto em gastos para a aquisição de materiais e manutenção do Hospital de Campanha do Estádio Presidente Vargas (PV), em Fortaleza.

Em 25 de maio de 2020, a PF deflagrou a operação Dispneia para investigar supostas irregularidades envolvendo a compra de respiradores. Na época, a gestão Roberto Cláudio negou a ocorrência prejuízo para os cofres municipais no caso e disse que, no momento da ação policial, a própria Prefeitura já havia rescindido o contrato com a empresa investigada.

Em agosto do ano passado, o Tribunal de Contas da União (TCU) também arquivou o processo que tramitava no órgão sobre o caso, por entender que não houve uso de dinheiro federal. Em novembro, a Prefeitura venceu ação na Justiça determinando que a empresa investigada devolvesse R$ 5,1 milhões para os cofres municipais.

Fonte: O Povo

Mário Almeida


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