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Cearense vende doces na rua para estudar Engenharia no Rio de Janeiro

As aulas do acadêmico aulas serão retomadas presencialmente em abril e ele corre contra o tempo para conseguir o valor

02/03/2022 às 09h46 Atualizada em 02/03/2022 às 09h54
Por: Mário Almeida Fonte: O Povo
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Cearense vende doces na rua para estudar Engenharia no Rio de Janeiro

O estudante cearense Matheus Coelho, de 19 anos, aprovado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), abriu uma campanha para conseguir arrecadar dinheiro para cobrir despesas durante o primeiro mês na nova cidade. O jovem, que é morador do bairro Parque Dois Irmãos, em Fortaleza, já está cursando Engenharia Elétrica de forma online, mas suas aulas serão retomadas presencialmente em abril e ele corre contra o tempo para conseguir o valor que lhe possibilite estudar.

De infância humilde, o jovem que sempre estudou em escola pública viu seu sonho de estudar Engenharia Elétrica na UFRJ, local que abriga o maior centro de ensino e pesquisa em Engenharia da América Latina, se realizar após ficar na lista de espera do Sisu em 2021. Havia apenas cinco vagas para o curso que Matheus queria.

O jovem contou que ficou em sexto colocado esperou pelo resultado da lista de espera. No dia 31 de maio de 2021 a espera acabou e ao consultar o site do Sisu Matheus viu que havia sido selecionado no dia de seu aniversário. "Foi um presente'', comentou.

No início, o pai, José Gleudo Coelho, ficou resistente com a notícia de que ele precisaria se mudar para o Rio de Janeiro quando começassem as aulas presenciais, por causa da falta de condições financeiras do estudante. “Mas com o tempo, ele viu que eu não ia ceder e decidiu me apoiar'', disse Matheus.

 

Aulas remotas

 

Apesar do resultado, o rapaz conta que teve seu ensino médio bastante prejudicado por causa da pandemia de Covid-19 e de problemas financeiros, mas conseguiu uma boa nota no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2020.

"Foi bem difícil. Passei boa parte do ano sem ter acesso às aulas porque eu não tinha celular e nem computador. Quando consegui, não tinha mais tempo porque eu comecei a trabalhar", contou o rapaz.

Matheus já começou a estudar desde julho de 2021. Ele está no segundo semestre, mas por causa das restrições contra a Covid-19, suas aulas ainda acontecem de forma remota. Porém, elas serão retomadas de forma presencial em abril.

Devido à rotina de estudos rigorosa, ele precisou de mais tempo para estudar e não conseguia mais trabalhar. “Eu não podia mais trabalhar, porque a faculdade me sugava muito. Estudava de manhã, tarde e noite. Tinha dias que virava a madrugada estudando”, disse.

 

Paçoquita

 

Para tentar juntar dinheiro e ficar os primeiros meses no Rio de Janeiro, o jovem tem feito rifas e vendido doces na rua. Ele conta que sua família é praticamente constituída por ambulantes e vendedores, daí surgiu a ideia.

“Eu decidi vender algo que pudesse fazer quando sobrasse tempo. Teria que ser de fácil acesso e um lucro razoavelmente alto para que pudesse maximizar o tempo livre. Encontrei todas essas características na Paçoquita”, falou.

A intenção é conseguir pelo menos R$ 3 mil para custear moradia, mobília mínima e alimentação no primeiro mês. “Pelas minhas contas, com esse valor, eu consigo sobreviver o primeiro mês. Aí já estarei recebendo o auxílio financeiro que a UFRJ oferece e vai dar pra respirar um pouco”, contou.

Além da venda nas ruas de Fortaleza, o rapaz está rifando produtos para conseguir o montante. Em seu Instagram, Matheus está sorteando um perfume doado por uma amiga. Ele fez um Rells contando sua história e explicando o motivo da rifa.

O jovem desabafou sobre o esforço que está fazendo para realizar o sonho. Ele conta que é um misto de sensações ao receber elogios e críticas.

“Ao mesmo tempo que recebo elogios e motivações para continuar lutando, em contrapartida eu recebo alguns linchamentos morais que só quem é ambulante entende. De fato, uma montanha-russa de sentimentos. Têm dias que me sinto muito bem por estar lutando pelos os meus sonhos e dias que as pessoas fazem questão de humilhar ao ponto de eu mesmo me fazer questionamentos do tipo: ‘isso vai valer mesmo a pena?’, ‘eu preciso passar por tudo isso mesmo?’. Mas no geral, eu me sinto mais bem do que ruim”, contou.

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